Negócio de impacto lança primeiro Dicionário Financeiro em Libras do Brasil

Negócio de impacto lança primeiro Dicionário Financeiro em Libras do Brasil

A iniciativa da Hand Talk, um dos negócios selecionados pelo programa TD Impacta, visa democratizar o acesso à educação financeira para a comunidade surda no Brasil

A tecnologia pode ser uma importante aliada da inclusão de pessoas com deficiência e do combate à assimetria no acesso à informação qualificada. A inovação social, que emerge das soluções desenvolvidas pelos negócios de impacto nacionais, tem auxiliado a reconfigurar as oportunidades educacionais, incluindo, as de educação financeira. A startup Hand Talk, referência global em acessibilidade digital, é um dos exemplos dessa visão. A empresa acaba de lançar o primeiro Dicionário Financeiro em Libras do Brasil.

Mais do que um conteúdo inclusivo, trata-se de uma iniciativa afirmativa pela democratização do conhecimento financeiro para a comunidade surda.

Com mais de 120 sinais traduzidos diretamente para a Língua Brasileira de Sinais — e recursos que personalizam a experiência do usuário, como personagens 3D e videoaulas com foco em renda fixa — a ferramenta, disponível no aplicativo da Hand Talk, representa um avanço concreto na construção de uma sociedade mais inclusiva.

O projeto é voltado aos mais de 2 milhões de brasileiros surdos que dependem exclusivamente da Libras para acessar informação e oferece um novo horizonte de autonomia e cidadania econômica.

No detalhe, o Dicionário Financeiro em Libras oferece aos usuários a possibilidade de ajustar a velocidade da sinalização, visualizar os personagens em 360° e compartilhar os sinais, tornando o aprendizado mais interativo e acessível.

A videoaula Hugo Ensina — Finanças conta com mais de 30 sinais que explicam conceitos fundamentais de finanças e investimentos, com foco em renda fixa, como o Tesouro Direto. O material também está disponível no canal do YouTube da Hand Talk, ampliando o alcance e o impacto do projeto.

Outro destaque da iniciativa é a implementação do Hand Talk Plugin no site do Tesouro Direto. A solução utiliza tecnologias avançadas de Processamento de Linguagem Natural (NLP) para traduzir automaticamente textos e descrições de imagens para Libras, ampliando o acesso de pessoas surdas às informações.

Além disso, contribui para o aprimoramento de modelos de inteligência artificial voltados ao setor financeiro, garantindo traduções mais precisas e contextualizadas. Esse é, inclusive, um passo fundamental para que a comunidade surda possa navegar com confiança por plataformas digitais de investimento e finanças públicas.

O que essa iniciativa nos revela vai além do alcance técnico. Ela evidencia como a inclusão pode (e deve) ser pensada como uma alavanca de transformação. Conversando com Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk, ele conta que o impacto esperado é de 12 mil pessoas atendidas por mês, com mais de 50 mil requisições de sinais financeiros mensais. E isso importa não só do ponto de vista social, mas também econômico.

“Estamos falando de milhões de pessoas que movimentam a economia. A inclusão financeira não só transforma a vida dessas pessoas, mas também gera um impacto positivo para as empresas e para o país como um todo”, afirma o empreendedor, acrescentando que o negócio de impacto é uma das 40 empresas selecionadas pelo TD Impacta — iniciativa criada pelo Programa Tesouro Direto, B3 (a bolsa do Brasil) e Artemisia — com o objetivo de impulsionar e acelerar soluções de impacto voltadas à educação financeira dos brasileiros.

O empreendedor conta, ainda, que a Hand Talk foi recentemente adquirida pela Sorenson — gigante global em soluções de comunicação para surdos. Na minha percepção, a negociação mostra que há um movimento de internacionalização de soluções tecnológicas de impacto social e ambiental positivo.

Com 3,3 bilhões de palavras já traduzidas e uma carteira robusta de grandes marcas, a empresa prova que é possível crescer sem abrir mão do propósito.

Em última análise, o Dicionário Financeiro em Libras é mais do que uma boa prática de um negócio de impacto: é um convite à reinvenção das políticas de inclusão. Em vez de enxergar a acessibilidade como um custo ou uma obrigação legal, trata-se de entendê-la como vetor estratégico de inovação, produtividade e construção de um novo pacto social.

Talvez o mais potente dessa iniciativa seja o que ela deixa como legado: a prova de que tecnologia com propósito pode pavimentar novos futuros nos quais cada indivíduo tem, de fato, o direito de compreender, participar e decidir sobre a sua própria vida financeira. Inclusão, no século XXI, não é gentileza — é inteligência social e econômica.

Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.


[Foto: Ronaldo Tenório, cofundador da Hand Talk, negócio de impacto que lança o primeiro Dicionário Financeiro em Libras do Brasil. Crédito: Divulgação/HT]

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