Primeira plataforma de decoração voltada às moradias populares, o Mobiliando alia curadoria técnica, dados e propósito para transformar pequenos espaços em ambientes de qualidade e pertencimento
No Brasil, milhões de famílias vivem em imóveis populares financiados por programas habitacionais, mas sem acesso a soluções práticas ou acessíveis para mobiliá-los. Nesse mercado pouco explorado, a falta de orientação e de produtos adequados resulta em desperdício, frustração e perda de renda. Com a proposta de democratizar o acesso ao design, o Projeto Mobiliando vem se destacando e já beneficiou mais de 1.800 famílias.
A iniciativa combina curadoria técnica, dados reais de consumo e parcerias com fabricantes para oferecer soluções de mobiliário adaptadas às moradias populares. Fundado pelos arquitetos Ana Paula Giuffrida, Danielle Stern e Lucas de Oliveira Alves, o Projeto Mobiliando nasceu de uma pergunta simples: Seria possível mobiliar uma casa popular, com um orçamento limitado, usando apenas móveis prontos — e ainda assim garantir beleza e funcionalidade?
Hoje, a plataforma é referência nacional em soluções reais para moradias populares. Criado por profissionais com ampla experiência em habitação popular, o Projeto Mobiliando propõe um novo olhar: menos reforma e mais estratégia. Sem vender móveis nem oferecer consultorias individuais, a iniciativa entrega semanalmente ideias de ambientes completos, usando produtos que cabem no bolso e no espaço — literalmente.
Ao longo da trajetória, o time identificou um problema estrutural: a indústria moveleira brasileira produz para vender, não para morar. A maioria das fábricas e marketplaces oferece linhas que não dialogam com as medidas reais das plantas das casas populares, nem com a rotina ou o poder de compra dos moradores.
Hoje, a plataforma reúne mais de 700 plantas cadastradas por seguidores que buscam soluções acessíveis para mobiliar as casas — um retrato claro da demanda reprimida por projetos funcionais e viáveis. Esse acervo inédito alimenta a curadoria de produtos e o diálogo com os fabricantes.
Com mais de 150 mil seguidores, o Projeto Mobiliando mapeia, projeta e compartilha ambientes reais, gerando alto engajamento e dados concretos sobre o consumo e o cotidiano da habitação popular. E esse mercado só tende a crescer: estima-se que 2,5 milhões de novas unidades habitacionais populares sejam lançadas no Brasil até 2026, de acordo com portaria editada pelos Ministérios das Cidades e da Fazenda.
“A gente não acredita em vender sonho pronto. Acredita em orientar o morador a fazer boas escolhas. E em mostrar às fábricas que dá pra fazer melhor”, afirmam as fundadoras e líderes do negócio, acrescentando que a empresa atua como ponte entre as fábricas (distribuidores) e as famílias — ajudando marcas a entenderem o verdadeiro uso e proporção das moradias populares. Na prática, isso gera produtos e comunicações mais assertivas.
A primeira plataforma de decoração pensada para casas populares no país nasceu com a missão de oferecer soluções funcionais para famílias de baixa e média-baixa renda, unindo orientação técnica, curadoria e educação para o consumo consciente. Com foco em habitações financiadas por programas públicos, o Projeto Mobiliando tem maior concentração de público nas regiões Sul, Nordeste e Sudeste — especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Além de transformar o cotidiano das famílias atendidas, o negócio também gera impacto ambiental indireto, ao reduzir o descarte precoce de móveis e materiais.
Ao orientar as famílias na escolha de produtos adequados às medidas reais dos ambientes, o projeto ajuda a evitar desperdícios e ampliar o ciclo de vida dos bens.
“O maior impacto social produzido pelo Projeto Mobiliando está na melhoria da qualidade de vida em habitações populares. Ao unir design acessível, otimização do espaço e orientação técnica que evita compras erradas, impactamos positivamente a vida dos nossos clientes”, explicam Ana Paula Giuffrida e Danielle Stern.
Mais do que um negócio digital de design, o Projeto Mobiliando mostra que o impacto pode começar com a escuta ativa de quem está dentro de casa, tentando fazê-la caber no sonho. É a prova de que transformar o cotidiano também é uma forma de gerar impacto socioambiental positivo, com propósito e sensibilidade.
Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.








