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Alimentação: a força e o impacto positivo da mulher no campo

Postado em 16 outubro 2019

Empreendimentos, como Sumá e Muda Meu Mundo, olham para a agricultura familiar sob o ponto de vista feminino; projeção mostra que empoderamento da mulher no campo faz produção aumentar 30%

Para inspirar o mundo a refletir sobre a fome e insegurança alimentar, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou, em 1979, o Dia Mundial da Alimentação. Lançando um olhar mais acurado à questão, acredito que ponderar sobre o tema é abordar o papel da mulher no campo.

Hoje, a força de trabalho feminina é responsável por 45% da produção de alimentos no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres que lideram propriedades rurais cresceu de 12,68%, em 2006, para 18,64% em 2017.

Um outro dado aponta que cerca de 31% das propriedades rurais apresentam mulheres diretamente vinculadas ao gerenciamento das propriedades; dessas, 81% entendem a participação feminina como vital ou muito importante. Embora sejam responsáveis por mais da metade da produção de alimentos no mundo, somente 30% delas são donas formais das próprias terras; 10% conseguem ter acesso a créditos e 5% à assistência técnica, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A contribuição econômica das mulheres do campo, de acordo com a Tese de Impacto Social em Alimentação elaborada pela Artemisia, revela que elas constituem um importante vetor de crescimento e prosperidade nas áreas rurais: 90% dos lucros obtidos são reinvestidos pelas mulheres na educação e no bem-estar da família.

Uma projeção mostra que o empoderamento da mulher na lavoura traria um aumento de 30% na produção agrícola e garantiria mais segurança alimentar, de acordo com a FAO. Diante desses fatos, nitidamente é preciso fortalecer a participação feminina no campo, seja por meio da instrumentalização das produtoras, seja pela conscientização do importante papel que desempenham nos estabelecimentos de agricultura familiar.

Não por acaso, as mulheres ligadas ao meio rural estão ocupando papel de destaque. De precursoras dos sistemas de produção agroecológicos a líderes de agritechs (startups ligadas à agricultura), elas também se destacam no empreendedorismo de impacto social.

Um dos exemplos é Daiana Censi, cofundadora da Sumá. A startup venceu o Inclusive Innovation Challenge do Massachusetts Institute of Technology (MIT) pela realização do trabalho de qualificação de agricultores familiares e conexão com compradores empresariais de alimentos por meio de tecnologia. Na prática, essa empreendedora trabalha diretamente com mulheres rurais porque percebeu que elas são peças-chave do fortalecimento da comunidade ao empreenderem iniciativas necessárias para desenvolvimento sustentável local.

Na Sumá, a história da família é contada pelo ponto de vista feminino. Entre os projetos liderados por mulheres — e que inspiraram Daiana a continuar empreendendo nesse ambiente a despeito dos desafios — está a Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia. Fundada pela empreendedora Thaise Guzzatti, em 1999, nas Encostas da Serra Geral, em Santa Catarina, o intuito da organização é diversificar as propriedades dos agricultores familiares que estavam em êxodo rural; a busca é pela qualidade de vida e melhores oportunidades de renda.

Um outro exemplo de liderança feminina e impacto social é Muda Meu Mundo, fundada pelas irmãs Priscila e Deborah Veras no Ceará. O negócio de impacto criou uma plataforma de agricultura sustentável na qual capacita e certifica agricultores familiares, apoiando o reflorestamento, aumento de produtividade e da renda das famílias, com foco na produção de alimentos orgânicos. Tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento sustentável e ampliar o acesso à alimentação saudável.

Estou certa de que o futuro da alimentação e da agricultura — lembrando que no ano de 2050 seremos mais de 9 bilhões de bocas — passa pela valorização feminina no campo. E a inovação com impacto social faz parte dessa equação.

Você pensa em empreender no setor de Alimentação para gerar impacto positivo em nossa sociedade? Conheça nossa Tese de Impacto Social em Alimentação — estudo que criamos em parceria com a Fundação Cargill que analisa os principais desafios enfrentados pela população de baixa renda e aponta as oportunidades para quem pensa em criar um negócio de impacto social no setor. Faça o download gratuito AQUI.

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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