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Os negócios de impacto social oferecem soluções concretas para problemas reais da sociedade brasileira?

Postado em 08 fevereiro 2019

Como um empreendedor pode atestar que o produto ou serviço que oferece é realmente inovador e responsável pela melhoria da cognição de alunos de escolas particulares e públicas? Uma empresa pode diminuir, via SMS, o impacto negativo da “ausência” dos pais na vida escolar? Essas são algumas questões presentes no cotidiano de empreendedores de impacto social, sobretudo os que estão em busca de recursos. Isso porque os investidores usam métricas de avaliação para uma série de propósitos — tomar decisões de investimento, identificar e mitigar riscos, capturar o valor agregado em longo prazo e acompanhar o investimento para garantir que os objetivos sociais e financeiros sejam cumpridos.

As métricas também ajudam a melhorar o modelo de negócio e atestam o impacto causado pela empresa. Tudo isso contribui para aumentar a transparência com todos os públicos interessados; por outro lado, são inúmeros os desafios para implementar um sistema de métricas. Medir o impacto tem um alto custo e demanda uma série de competências e recursos humanos difíceis de conseguir. Com a premissa de unir lucro à transformação social, a comprovação da efetividade e sustentabilidade do negócio é fundamental para conquistar investidores e aprimorar a atuação no que diz respeito à geração de impacto positivo. Diante desse desafio para o empreendedor de impacto, a Artemisia se juntou à Agenda Brasil do Futuro e à Move Social para lançar o Guia Prático de Avaliação para Negócios de Impacto Social, disponível para download gratuito.

O guia prático traz conceitos importantes na avaliação de negócios de impacto social e o passo a passo para essa medição. Com um texto simples e explicativo, aborda cada item com casos concretos, vídeos, websites, dicas de leitura e exercícios de brainstorming — que ampliam a compreensão da equipe e mostram como conduzir a mensuração adequada a cada estágio da startup e área de atuação. O guia foi organizado por Rogerio Renato Silva, Max Gasparini, Elis Alquezar, Paola Gongra e Antonio Ribeiro.

A proposta é oferecer suporte ao empreendedor de impacto social para que pense sobre os principais conceitos de avaliação do impacto social do negócio; como criar uma cultura de avaliação interna e externa; como conduzir e quais instrumentos; metodologias e métricas; e quais armadilhas evitar. Um guia que ajudará o empreendedor e a equipe a construir uma solução customizada; totalmente voltada ao negócio e ao propósito que espera com essa mensuração.

Na Artemisia temos cases de empreendedores acelerados que criaram mecanismos e parcerias para viabilizar a avaliação do impacto dos negócios. O ponto de partida para a análise conduzida pela Geekie — empresa referência em educação com apoio de tecnologia no Brasil e no mundo — foi o ENEM 2015, quando a diferença entre a média das escolas privadas em comparação com as públicas era de 70 pontos: 556 contra 486, respectivamente. Com o uso do Geekie Games, que atua com simulados oficiais do MEC, plano de estudos personalizado com as melhores aulas e exercícios, esses resultados começaram a mudar, melhorando a nota em cinco vezes mais. A plataforma atuou com 4,5 milhões de alunos inscritos — 57% do total de candidatos do ENEM — estudantes de 99,8% municípios do país. Entre eles, histórias de sucesso como a de Luiza. Aos 16 anos e estudante de escola pública no Estado de Pernambuco, a garota tinha o sonho de ingressar na faculdade pública de Medicina; em contrapartida, a nota do ENEM era de 433, um impeditivo para a realização do sonho. Com o uso do Geekie Games, Luiza conseguiu melhorar a nota em 101% e atingir 871 como nota final.

Vencedora do prêmio Melhor Inovação Social liderada por empreendedores brasileiros com menos de 35 anos — concedido pelo MIT Technology Review — a MGov oferece o ImpactCom, uma plataforma de comunicação inteligente para engajamento voltado ao desenvolvimento social. Entre suas soluções está a biblioteca de conteúdo EduqMais — que atua diretamente para diminuir o impacto negativo da “ausência” dos pais na vida escolar. Segundo dados, 25% dos pais não sabem que os filhos faltaram à aula; 33% dos pais não perguntam sobre os problemas dos filhos; e 50% não têm o hábito de verificar o dever de casa. Com o apoio da Universidade de Stanford, a MGov conduziu uma avaliação do custo-efetividade para investigar a eficácia desse produto — que tem como base a comunicação via SMS para engajamento das famílias na educação dos filhos. A análise mostrou que o EduqMais tem impacto quatro vezes superior ao de outras políticas públicas de educação, tendo o mesmo investimento em reais necessários para aumentar a jornada escolar em uma hora, aumentando a proficiência do aluno.

A Vivenda — que oferece acesso a reformas de qualidade para a baixa renda, atuando com venda diretamente para o consumidor; com organizações filantrópicas e organizações; e com o poder público — já fez mais de 700 obras, atendendo a aproximadamente 2.700 pessoas. Mas faltava, na percepção dos empreendedores, uma pesquisa de impacto. Com a ajuda da FGV e Plano CDE, puderam verificar que a reforma da casa é a prioridade para o público-alvo e que, entre os principais impactos da atuação é privacidade, autoestima, praticidade, saúde e faísca para a transformação.

Quanto ao questionamento inicial que norteou esse artigo, a resposta é claramente SIM! Os negócios de impacto social estão mudando a forma de empreender no Brasil e imprimindo impacto positivo na vida de milhões de brasileiros da baixa renda. É possível mudar o mundo e ganhar dinheiro via empreendedorismo de impacto social.

 

Pensando nos desafios que os empreendedores(as) de todo o Brasil enfrentam para mensurar o impacto de suas soluções, a Artemisia se juntou à Agenda Brasil do Futuro e à Move Social para lançar o Guia Prático de Avaliação para Negócios de Impacto Social, disponível para download gratuito AQUI.

 

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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