fbpx
artemisia

Como estão agindo os negócios de tecnologia verde em direção ao futuro

Postado em 12 maio 2022

Dentro da perspectiva da sustentabilidade como um imperativo para os negócios na contemporaneidade, as empresas de tecnologia verde que atuam com um recorte de clima estão alterando, rapidamente, o cenário mundial. Se há uma década reduzir o impacto ambiental da atividade era uma demanda desejável para as organizações, hoje os líderes enfrentam uma pressão global por parte de funcionários, clientes, investidores e parceiros de negócios para que passem a agir de forma decisiva em prol das questões ambientais e do desenvolvimento sustentável.

Na minha opinião, essa é uma oportunidade enorme para um novo pensar e fazer, mediado pelos empreendedores e pelas empreendedoras de negócios de impacto socioambiental. Isso porque podem conectar seus produtos e serviços com companhias que precisam de suporte efetivo para se ajustarem aos princípios do ESG (princípios sociais, ambientais e de governança).

No estudo Construindo um negócio verde: lições de startups de sustentabilidade, a McKinsey & Company aponta que vivemos um ponto de inflexão. Primeiro, o preço do carbono está subindo enquanto o custo das energias renováveis continua caindo — o que torna essas soluções sustentáveis mais competitivas e, em alguns casos, mais baratas do que a energia tradicional.

Um segundo ponto é a pressão pública para tomarmos medidas decisivas para evitar a catástrofe climática, ou seja, precisamos de uma mudança real no comportamento das empresas para além dos discursos ambientalistas.

Como terceiro fator, o capital que está entrando e impulsionando o espaço da sustentabilidade. Encontrar startups e negócios de impacto social e ambiental que auxiliem as grandes companhias a fazerem a adequação a esse novo contexto tornou-se crítico para a sobrevivência das empresas. Hoje, é real o risco de serem deixadas para trás, enquanto os concorrentes constroem uma vantagem competitiva, figurando como “donos e construtores do futuro”.

Na leitura do estudo, achei bastante relevante o descritivo das características dos empreendedores que estão capturando as oportunidades:

1. Genuinamente movidos por propósito e paixão: o profundo senso de propósito é comum a startups disruptivas do setor de tecnologias climáticas; para muitos, essa crença ajuda, desde o início, quando o financiamento é escasso e a tecnologia ainda está sendo desenvolvida.

2. Profundo conhecimento tecnológico com ousada aspiração de futuro: o conhecimento aprofundado é uma característica disruptiva porque orienta e capacita o pensamento criativo, norteando também o conhecimento tecnológico. Esses empreendedores dominam as regras antes de quebrá-las e muitas das inovações consistem em uma outra forma de olhar para o processo.

3. Tecnologia transversal: poucos empreendedores disruptivos trabalham sozinhos para resolver problemas intransponíveis; a maioria deles tem como palavra-chave a colaboração. A capacidade de atrair talentos para a empresa é uma das características marcantes e decisivas para combinar tecnologias a partir de conhecimentos distintos dos profissionais. Estamos falando em atrair tecnologias complementares e colaborar com pessoas e empresas que preenchem as lacunas de conhecimento especializado.

4. Forte empoderamento e tomada de risco: uma crença comum é que as organizações maiores e tradicionais lutam para desenvolver ou se apoderar de tecnologia disruptiva — e que por serem avessas ao risco, esse se torna um desafio. Ao almejar a previsibilidade, inovar se torna quase inexequível. Ao contrário disso, os empreendedores disruptivos abraçam o risco: tanto pessoal quanto sistêmico.

5. Mentalidade de testar e tentar a uma velocidade vertiginosa: embora haja a visão de onde se quer chegar, o empreendedor disruptivo entende que deve abraçar a mentalidade de testar e ser ágil na correção de eventuais problemas. A abordagem é de tentativa e erro até se chegar à melhor solução.

Em linhas gerais, o estudo mostra claramente que existe um movimento marcado pela mudança da relação das empresas e do capital privado com o meio ambiente. Nesta nova lógica, a percepção é a de que o impacto ambiental deve caminhar atrelado à estratégia central do negócio. A externalidade ambiental negativa — que, antes, era mitigada — passa a abrir espaço para a geração de impacto ambiental positivo integrado aos negócios. O futuro integra, de maneira sistêmica e estratégica, a economia e o meio ambiente.

Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

Você é empreendedor(a) de um negócio que gera impacto positivo?

Pensando nos desafios que os(as) empreendedores(as) enfrentam para mensurar o impacto de suas soluções, nós da Artemisia nos juntamos à Agenda Brasil do Futuro e à Move Social para lançar o Guia Prático de Avaliação para Negócios de Impacto Social, disponível para download gratuito AQUI.