Startup brasileira que atua com logística reversa inteligente desenvolveu o projeto Estação Preço de Fábrica, com remuneração justa aos catadores.
O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil mostra que apenas 4% dos resíduos sólidos urbanos foram reciclados em 2023, apesar de mais de 90% deles serem potencialmente reaproveitáveis. Estima-se, ainda, que mais de 800 mil catadores atuem de forma majoritariamente informal — o que significa trabalhar com pouco ou nenhum acesso à infraestrutura, remuneração justa ou aos direitos trabalhistas.
É nesse cenário que negócios de impacto socioambiental, como a Green Mining, adquirem enorme relevância ao estruturar a base da cadeia, contribuindo para um sistema mais eficiente, justo e sustentável.
A empresa, que vem se consolidando como uma referência em logística reversa inteligente no país, anuncia a inauguração da Estação Preço de Fábrica, no bairro Brooklin, em São Paulo. A iniciativa de uma nova unidade acontece em um momento estratégico para a Green Mining, recém-selecionada, entre centenas de negócios de impacto de todo o país, para compor o TD Impacta — programa de apoio a startups com soluções para desafios sociais e ambientais, promovido pelo Tesouro Direto e pela B3, com execução da Artemisia. Com o apoio, a startup acelerou a expansão do seu modelo, ampliando parcerias e testando novos formatos de atuação.
Na estação, cidadãos e catadores entregam materiais recicláveis — vidro, papelão, papel branco, papel-cartão, plástico PET e embalagens longa vida — e recebem pagamento via PIX na sexta-feira seguinte, sempre que tiverem um saldo superior a R$ 10. Os resíduos são rastreados do início ao fim com tecnologia proprietária da startup, garantindo transparência e uma destinação ambientalmente correta.
A identificação de falhas estruturais na cadeia de reciclagem brasileira foi o start para que Rodrigo Oliveira, CEO e fundador da Green Mining, desenvolvesse o conceito da Estação Preço de Fábrica. Em conversa, o empreendedor contou que no projeto catadores e pequenos coletores recebem o valor real dos materiais recicláveis, sem a interferência de intermediários — o que evita a disparidade econômica e traz dignidade para os trabalhadores dessa cadeia.
“Nossa missão vai além da reciclagem: é sobre justiça social, dignidade e protagonismo para quem realmente faz a coleta acontecer: o catador. É compartilhar o valor do crédito ambiental com quem está na base da cadeira. Sem intermediação, com pagamento justo e transparência total. O apoio financeiro que recebemos do TD Impacta tem permitido acelerar esse movimento, ampliando a remuneração justa aos catadores, além de contribuir com as metas ESG das empresas parceiras”, reforça Oliveira, acrescentando que hoje a Green Mining tem mais de 6 mil pessoas entregando materiais reciclados nas estações em diferentes regiões do país (São Paulo, Bahia, Tocantins e Minas Gerais); são catadores que viviam em situações precárias e que viram seus rendimentos aumentarem em até cinco vezes.
É relevante ressaltar que a Green Mining produz impacto socioambiental positivo ao apoiar catadores na geração de renda mais justa e ao abrir caminho para que créditos de resíduos possam, no futuro, ser convertidos em investimento no Tesouro Direto. É um exemplo de solução que gera valor para a sociedade e para o meio ambiente, de forma integrada.
Por fim, vale contar que a Green Mining integra o grupo de empresas do Pacto Global da ONU — a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.
Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.
[Foto: Rodrigo Oliveira, fundador da Green Mining. Crédito: Divulgação/GM]








