Roupa usada em aluguel por assinatura é mote de negócio sustentável

Busca por inovação abre espaço para negócios de impacto na saúde

Recente estudo conduzido pelo The Future Laboratory, que identificou as 50 tendências de consumo que definirão o próximo ano, defende que em 2022 daremos as boas-vindas a um grande reengajamento, ou seja, estaremos diante do início de uma época na qual nos reconectaremos a formas conscientes, propositais e racionais de nos relacionarmos com o mundo (e os recursos naturais).

Se nos últimos anos vivenciamos a grande aceleração das mudanças — impulsionadas pela pandemia e mediadas pela tecnologia –, agora estamos às portas de novas transformações, sobretudo na forma como trabalhamos, descansamos e fazemos compras. E os negócios de impacto socioambientais não estão à margem desta reformulação de hábitos comportamentais e do viver.

Um dos negócios que gostaria de destacar propõe o repensar do consumo de roupas. A indústria têxtil, aliás, entrou no debate da sustentabilidade relativamente tarde, de acordo com o estudo Future Forecast 2022, do The Future Laboratory. A análise aponta que o cálculo ecológico do setor está ganhando ritmo e novos arranjos disruptivos. Vale lembrar que essa indústria é uma das mais poluidoras do planeta. Na reportagem ‘Deserto do Atacama vira cemitério tóxico da moda descartável‘, o Estadão mostrou o dano causado pelo descarte irresponsável da chamada “moda tóxica”.

Na contramão de um modelo de consumo que não leva em consideração os limites planetários, a WeUse traz uma nova proposta. Fundada por Carlos Alberto Silva, em 2017, a startup é uma plataforma de assinatura de aluguel de roupas para o dia a dia, que faz entregas semanais de peças selecionadas pelo cliente. O negócio de impacto socioambiental funciona como um guarda-roupas virtual de consumo compartilhado de vestuário. A empresa é a melhor expressão do conceito inovador de Fashion as a Service (FaaS).

Assim como em uma plataforma de streaming — na qual os assinantes podem escolher filmes e séries –, no guarda-roupa virtual, os clientes podem selecionar até quatro peças de roupas por semana pelo aplicativo. A WeUse cuida da entrega e da retirada das roupas, assim como da lavagem das peças, sendo que o valor já está incluso na mensalidade; os consumidores podem dispor de planos mensais a partir de R$ 89,90 (plano anual).

Hoje, a WeUse está disponível apenas para consumidores de São Paulo, na capital e cidades de Guarulhos, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Diadema, Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Taboão da Serra, Barueri, Embu das Artes e São Caetano do Sul, mas em breve, pretende expandir o serviço para outros Estados.

Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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