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O desafio da educação 4.0 e o impacto no futuro dos alunos brasileiros

Postado em 11 março 2020

educação no Brasil representa desafios de proporções continentais. Para se ter ideia do tamanho dessa dificuldade, no ensino fundamental temos mais de 128 mil escolas e ultrapassamos os 27 milhões de alunos, de acordo com o Anuário Brasileiro de Educação Básica (2019). Levar tecnologia para dentro das salas de aula — conectando os estudantes com um presente que terá impacto no futuro — significa ampliar as possibilidades e oportunidades.

Uma das chaves para tornar factível a melhora na qualidade da educação está em unir a educação cognitiva com a não cognitiva (socioemocional). Essa conduta, de acordo com o levantamento Social and Emotional Skills, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), resulta em melhor desempenho na universidade, melhores salários e empregos na vida adulta e mais saúde.

Um negócio de impacto social tem trabalhado nessa direção ao incluir tecnologia e criatividade no cotidiano de alunos e alunas. Fundado em 2017 por Fernanda Marques Getschko e André Emil Getschko, o Mundo4D surgiu a partir de um projeto voluntário de ensino de tecnologia na Escola Estadual Professora Marina Cintra, em São Paulo, com a missão de levar educação 4.0 para dentro das escolas.

Hoje, o negócio atua com soluções educacionais que têm impacto direto na sala de aula — tanto na formação e na atualização de professores, quanto no auxílio do desenvolvimento das habilidades do século 21 em alunos por meio de métodos que os colocam no centro do aprendizado.

A empresa oferece um programa de ensino de tecnologia criativa para alunos da educação básica baseado na metodologia STEAM e com foco no desenvolvimento de habilidades cognitivas, digitais e socioemocionais. As escolas podem aplicar o conteúdo na grade curricular ou em período extracurricular, aumentando a ocupação das salas de aula.

Com a solução, o educador consegue mapear e acompanhar o desenvolvimento socioemocional do aluno com base no framework BigFive — adotado pela OCDE. As tecnologias utilizadas em sala de aula vão de robôs programáveis à prática maker com sucatas e materiais recicláveis.

Atualmente, o negócio está atuando em 13 escolas, sendo uma pública. De 2019 para 2020, triplicou o número de alunos inscritos no programa de tecnologia criativa. O programa conta com uma trilha pedagógica de tecnologia criativa, formação e suporte continuado aos professores, acompanhamento socioemocional e cessão de robôs educacionais.

A iniciativa funciona da seguinte forma: as escolas indicam professores que, após a formação, tornam-se embaixadores e passam a aplicar diretamente os conteúdos do programa em sala de aula, tendo cada vez mais autonomia nos assuntos vinculados ao ensino de tecnologia. Esses educadores contam com conteúdos divididos em “expedições”; cada uma delas possui um conjunto de 8 a 10 aulas alinhadas a diferentes faixas etárias e às demandas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Não à toa, as competências socioemocionais têm ganhado força ao lado das competências cognitivas nas discussões de educação e empregabilidade de hoje e do futuro. Proporcionar o desenvolvimento dessas competências em estudantes — com olhar especial aos que vivem em situação de vulnerabilidade econômica — foi destaque da Tese de Impacto Social em Empregabilidade, que evidenciou a importância de ampliar o acesso ao desenvolvimento dessas habilidades a fim de preparar os jovens para as mudanças no mercado de trabalho que já estão emergindo.

Vejo a urgência das escolas em incorporarem esses temas, conectando a sala de aula às transformações globais e ampliando o leque de possibilidades para o futuro dos jovens brasileiros. Como preconizava o educador Paulo Freire, o objetivo da escola deve ser ensinar o aluno a ler o mundo para, a partir dessa habilidade, transformá-lo. Muitos dos negócios de impacto social focados em educação estão profundamente conectados com essa premissa.

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.

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