À frente do maior festival de acessibilidade da América Latina, negócio de impacto defende que inclusão é motor de inovação e valor social para marcas
No Brasil, mais da metade das pessoas com deficiência ainda enfrenta obstáculos para acessar conteúdos na internet: apenas 39% afirmam que os sites atendem às suas necessidades.
O Panorama de Acessibilidade Digital — estudo conduzido pela Hand Talk em parceria com o instituto Opinion Box — escancara uma realidade pouco debatida dentro das corporações: a exclusão digital silenciosa, que compromete a participação plena de milhões de brasileiros na vida social e econômica.
Os dados revelam um paradoxo: embora 49% das empresas afirmem possuir iniciativas de acessibilidade, barreiras internas como resistência organizacional e desconhecimento técnico continuam travando avanços significativos.
Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que há mais vagas afirmativas disponíveis — 42% dos entrevistados identificaram esse avanço. Mas como falar em inclusão real se os recursos digitais mais básicos ainda não estão preparados para acolher a diversidade de corpos, modos de navegar e comunicar?
Na visão de Ronaldo Tenório, cofundador da Hand Talk, a acessibilidade digital não pode ser vista como um “extra”, mas como uma base estratégica.
“Investir em tecnologia, capacitar profissionais e promover uma mudança de mentalidade são ações fundamentais para construir um ambiente digital verdadeiramente inclusivo”, afirma o empreendedor da startup brasileira que é reconhecida por suas soluções inovadoras como tradução automática para Línguas de Sinais.
Para dar visibilidade ao tema da inclusão e incentivar a mobilização, o negócio de impacto social anuncia a 8ª edição do Link Festival.
Tema e proposta do evento
Com o tema Inovação com propósito, inclusão com impacto, o festival — reconhecido como o maior da América Latina dedicado à acessibilidade digital — propõe transformar a inclusão em agenda estratégica de inovação.
A programação reúne especialistas, empresas, gestores públicos e pessoas com deficiência para debater como a acessibilidade pode gerar valor real para os negócios e para a sociedade. O evento acontece nos dias 7 e 8 de agosto, em São Paulo, de forma híbrida e gratuita, contando com diferentes recursos de acessibilidade para que o maior número de pessoas possível possa acompanhar o festival.
Mais do que uma vitrine de boas práticas, o Link se firma como um espaço de articulação para quem quer atuar com impacto. Em tempos de retrocesso nas pautas de diversidade e inclusão, é urgente reafirmar que acessibilidade não é um diferencial competitivo — é uma exigência ética, um motor de inovação social e uma responsabilidade compartilhada entre empresas, governo e sociedade civil.
Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia. Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.
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Pensando nos desafios que os empreendedores sociais de todo o Brasil enfrentam para mensurar o impacto de suas soluções, a Artemisia se juntou à Agenda Brasil do Futuro e à Move Social para lançar o Guia Prático de Avaliação para Negócios de Impacto Social, disponível para download gratuito.








