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As 10 tendências de negócios de impacto social para ficar de olho — parte 1

Postado em 19 junho 2019

Tendências para empreender com impacto social, em áreas como saúde e habitação, revelam que a indústria de negócios do setor tem se moldado às demandas sociais mais urgentes

 

“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” A frase, atribuída ao escritor e professor Peter Drucker — considerado o pai da administração moderna –, resume um pouco o espírito empreendedor, pois nos direciona para a urgência de transformar desafios em oportunidades. No empreendedorismo de impacto social, a identificação de tendências, que aponta para onde estamos caminhando, resulta do exercício anterior de enxergar o cidadão em todas as dimensões, usando uma profunda empatia.

Mapear as dores das pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e cruzar com informações sobre tecnologias que estão emergindo e com diferentes modelos de negócio passa a ser uma constante essencial para entender como vencer um gargalo social que não está tendo respostas completas do poder público e da iniciativa privada tradicional. É do olhar permanente e minucioso que saem os estudos, os mapeamentos de tendências e as teses elaboradas pela equipe da Artemisia.

Em uma série composta por dois artigos, destaque para tendências que estão relacionadas a setores estruturantes — Educação, Habitação, Saúde, Alimentação, Energia –, e outras que permeiam horizontalmente diferentes áreas, mostrando-se temáticas fluídas e disruptivas como arquitetura de escolhas e cadeias produtivas, por exemplo.

A primeira das tendências detectadas é o uso da internet das coisas (IoT) e inteligência artificial. À primeira vista, pode parecer que essas tecnologias só irão afetar a vida da população de maior renda e das grandes empresas. Mas, com o olhar do potencial de impacto social, essas tecnologias podem ser aplicadas para mitigar riscos enfrentados, principalmente, pela população mais vulnerável.

Exemplo disso são as soluções que podem detectar riscos e crimes ambientais, ou identificar características mensuráveis — vibração da terra e microfissuras — conectado em rede que envia, automaticamente, mensagens de georreferenciamento para a população local. Analisando o potencial de impacto da inteligência artificial temos, como exemplo, soluções tecnológicas que apoiam a aprendizagem personalizada de jovens e crianças e as que oferecem suporte à saúde pública.

A segunda tendência lança luz à alimentação com iniciativas que promovem o acesso à alimentação equilibrada e saudável; combatem os desertos alimentares — locais onde a oferta de alimentos nutritivos como frutas, verduras e legumes é baixa ou inacessível, o que impacta na saúde e no índice de obesidade da população; e combatem o desperdício com soluções que apoiem a geração de renda por meio da alimentação.

Habitação, foco da terceira tendência, aparece como centro das principais agendas globais por ser a moradia tema essencial para a erradicação da pobreza. Pelo caráter transversal — influencia qualidade de vida, saúde, segurança, educação e condições para o desenvolvimento humano — tornou-se uma temática relevante para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU). A análise revela que têm surgido negócios de impacto social que inovam no setor ao adotar materiais alternativos para a construção; ao criar soluções para qualificar e diversificar a mão de obra; desenvolver projetos de arquitetura em áreas periféricas; e reforçar propostas de baixo custo com formas de pagamento diferenciadas.

temática da energia acessível e renovável, sobretudo a solar, está no cerne da quarta tendência. Nessa seara, a análise recai para modelos que consigam ultrapassar as barreiras de escala e acesso à população de menor renda; serão bem acolhidos, também, produtos e serviços que reduzam a perda de energia e os custos de acesso via geração distribuída de energia.

 

Empreender com impacto social requer muito mais resiliência, empatia e capacidade de capturar o espírito do nosso tempo

 

As soluções voltadas à saúde compõem a quinta tendência. Essa análise passa pela necessidade de serviços de prevenção de doenças e promoção da saúde, visto que diversas enfermidades podem ser prevenidas ou controladas com diagnóstico precoce, hábitos saudáveis e monitoramento constante — como diabetes, problemas cardiovasculares, obesidade.

Há um movimento forte entre os grandes hospitais: eles estão olhando para a questão dos cuidados primários, que impactam diretamente nos custos decorrentes de internações complexas. Essa forma de agir começa a mudar a lógica da saúde no Brasil, que ainda é muito fragmentada; na prática, o brasileiro precisa ir a muitos especialistas, quando o ideal seria um tratamento integral e atenção básica.

Essas cinco tendências revelam que a indústria de negócios de impacto social tem se moldado às realidades apresentadas por algumas das demandas sociais mais urgentes. Sabemos que empreender é enfrentar, diariamente, desafios de toda natureza. E empreender com impacto social requer muito mais resiliência, empatia e capacidade de capturar o espírito do nosso tempo. Na próxima semana, vou abordar mais cinco tendências para quem está pensando em empreender — e gerar impacto positivo.

 

  • Maure Pessanha é coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.
  • Texto publicado originalmente no Blog do Empreendedor — Estadão PME.
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