A emergência dos investidores de impacto

Por Renato Kiyama | Maio 2012

Um grupo de investidores cresce a cada ano interessado em realizar investimentos com a intenção de criar impacto positivo para além de retornos financeiros. São os chamados investidores de impacto.

Venho percebendo que esse movimento gera muito entusiasmo entre os empreendedores sociais e organizações de apoio que converso frequentemente. Entretanto, poucos realmente conhecem o que significa relacionar-se com investidores de risco.

Os fundos de investimento levantam nas pessoas em geral muitas crenças de que são indispensáveis no mundo do empreendedorismo, principalmente devido ao importante papel desempenhado por essas organizações no desenvolvimento de empresas de tecnologia nos Estados Unidos.

Certamente um negócio apoiado por um fundo de investimento cresce muito mais rápido do que um negócio que não recebe este aporte. Porém não se pode confundir intensidade com representatividade. Segundo uma pesquisa realizada pelo professor Amar Bhidé, de Harvard, apenas 5% dos negócios listados na Inc. 500 tiveram o aporte de venture capital.

Todos os outros atingiram sucesso crescendo de forma orgânica, aprendendo de forma gradual com os erros do dia a dia e se financiando com pequenos aportes próprios e empréstimos pontuais. Esse contexto não será diferente no mundo dos negócios sociais.

É claro que é muito positiva a emergência de uma nova classe de investidores, principalmente com o olhar otimista da JP Morgan, que prevê um potencial de investimentos entre US$ 400 bilhões e 1 trilhão até 2020 para este setor.

No longo prazo, isso muda a perspectiva de financiamento dos negócios sociais. Entretanto, esses investidores requerem extensivas análises dos planos de negócio e equipes de gestão com um histórico profissional invejável no mundo corporativo, para, no fim, investir em um ou dois negócios.

Assim, é necessário que os empreendedores compreendam com mais profundidade o que significa relacionar-se com investidores. Um processo complexo e árduo mesmo para quem já possui experiência no assunto.

Tendo em vista que o principal ativo de um empreendedor é seu tempo e energia, esse deve ser destinado à efetiva consolidação da sua organização, que é atingida através das interações com clientes, fornecedores, público beneficiado e afins.

As discussões extensivas sobre a emergência de investidores mais altruístas esconde o fato de que, primeiro, precisamos criar diversos modelos de negócios que realmente tenham profundo impacto social para, depois, pensar em maneiras de financiar sua escala. Não o contrário.

*Artigo publicado originalmente no site da Folha Empreendedor Social

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