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Arquitetos da Vila, Revolusolar e Se Vira, Mulher! são destaques do Lab Habitação: Inovação e Moradia

Postado em 05 dezembro 2019

 Realizado pela Artemisia e Gerdau, em parceria do Instituto Vedacit, Tigre e Votorantim Cimentos – e apoio da CAIXA e CAU/BR –, o Lab Habitação: Inovação e Moradia anuncia os três negócios que se destacaram ao longo do processo de aceleração de curto prazo. Arquitetos da Vila, Revolusolar e Se Vira, Mulher! vão receber um capital-semente para apoiar o aprimoramento das soluções. 

Para fortalecer soluções de impacto social que têm ajudado a tornar as moradias de milhares de brasileiros mais salubres, dignas e confortáveis, a Artemisia e Gerdau criaram o Lab Habitação: Inovação e Moradia. Em sua segunda edição, o programa de aceleração de curto prazo potencializou a atuação de empreendedores responsáveis por 14 soluções inovadoras no setor de habitação. Ao longo do processo de cinco semanas, Arquitetos da Vila, Revolusolar e Se Vira, Mulher! – empresas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente – se destacaram e receberam um capital-semente para apoiar o aprimoramento das soluções. A iniciativa, que avaliou mais de 490 iniciativas do setor, contou com a parceria do Instituto Vedacit, Tigre e Votorantim Cimentos; e apoio da CAIXA e CAU/BR.

Segundo Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, o sonho de contribuir para que os brasileiros possam viver com dignidade e poder de escolha passa pelo apoio à novas iniciativas empreendedoras no setor de habitação. “Quando analisamos os componentes que formam uma vida digna e segura, a questão habitacional se mostra intrinsecamente ligada à qualidade de vida e à saúde da população. É urgente lançarmos o olhar para o contingente de pessoas vivendo em condições inadequadas. Transformar a habitação insalubre ou irregular em um ambiente seguro, digno, confortável e saudável representa uma faísca de transformação, que impacta positivamente em pessoas, famílias e na cidade como um todo”, afirma a executiva, acrescentando que para analisar os desafios da habitação no Brasil – que afetam a vida das pessoas em situação de vulnerabilidade econômica – e apontar quais seriam as oportunidades para empreender para gerar impacto positivo nessa temática, a organização lançou este ano uma análise setorial. “Vemos que os negócios que são destaque dessa aceleração se enquadram em três das oportunidades detectadas pela Tese de Impacto Social em Habitação”, finaliza.

De acordo com Marcos Faraco, diretor-executivo da Gerdau Aços Brasil, os resultados da segunda edição do programa reforçaram a convicção de que negócios de impacto social podem oferecer soluções que colaborem com os temas de habitação para população de baixa renda no país. “Os negócios que mais se destacaram – Arquitetos da Vila, Se Vira, Mulher! e Revolusolar – mostram a importância de iniciativas empreendedoras e trazem modelos de negócio inovadores, focados na transformação em diferentes temas do dia a dia da população brasileira”, afirma.

 

DESTAQUES

ARQUITETOS DA VILA | Belo Horizonte (MG)

No Brasil, 11 milhões das casas já construídas não estão em boas condições de habitação. Edificadas sem conhecimento ou apoio técnico, muitas moradias apresentam umidade, mofo; falta de iluminação e ventilação adequadas – que caracterizam problemas habitacionais estruturais, que comprometem o desenvolvimento de indivíduos e impacto na saúde e autoestima das famílias. As reformas realizadas em comunidades tendem a ser mais caras e ineficientes; há ausência de crédito e qualificação profissional para garantir a redução de desperdício de materiais e o planejamento adequado da reforma para melhores resultados finais. O negócio de impacto social Arquitetos da Vila atua para combater esse problema: realizam reformas com qualidade, preço acessível, possibilidade de financiamento e prazo adequado. A empresa, atualmente, opera com a capacidade de conduzir 20 obras por mês, a um custo médio de R$ 7 mil, com parcelas de R$ 300 a R$ 600 no formato antecipado – em quinze vezes com a obra entregue no final do pagamento – e financiado, com entrada entre 25% e 50% do valor total da obra e o restante do pagamento financiado em 24 prestações.

Fundado por Wanda Reis e Lucas Vasconcelos, Arquitetos da Vila está associado à quarta oportunidade identificada pela Tese de Impacto Social em Habitação: reformas habitacionais e assistência técnica. A maioria das construções e reformas são feitas sem o apoio de um profissional especializado e planejamento; esse procedimento pode resultar em moradias de baixa qualidade e problemas à saúde dos seus moradores – por questões com umidade e falta de ventilação, por exemplo. Um outro ponto relevante é que as reformas realizadas via autoconstrução são mais demoradas e tendem a ser mais caras por conta das compras fracionadas do material, que muitas vezes, é usado de forma incorreta, gerando insegurança e desperdício. Entre as soluções que podem ser desenvolvidas dentro dessa oportunidade estão a oferta de serviços com solução completa de reforma de cômodos da casa, incluindo assistência técnica, planejamento e materiais; e serviços de arquitetura acessíveis – voltados ao desenho de projeto e planejamento de obra para construção e/ou expansão de casas.

 

Wanda Foresti e Lucas Jório. Empreendedores Arquitetos da Vila.Crédito: Marco Torelli.

 

SE VIRA, MULHER! | São Paulo (SP) 

No país, 30,6% das mulheres realizam tarefas de pequenos reparos em casa, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que muitas assumem as tarefas de manutenção, reforma e construção sem o conhecimento necessário para realizar um trabalho seguro. Na construção civil, elas são quase 10% dos profissionais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Em contrapartida, de 2001 a 2015, o número de lares chefiados por mulheres registrou um crescimento de 105%; elas representam 40,5% das responsáveis por residências no Brasil. E muitas se sentem inseguras para receber um profissional do sexo masculino nas residências; há uma demanda por autonomia para realizar sozinhas pequenos reparos e reformas – não aceitam a ideia de que esses afazeres são “coisas de homem”.

Nesse cenário, as empreendedoras Thaís Nobre e Edna Braga criaram a Se Vira, Mulher! – capacitação para mulheres, que apresenta uma solução baseada em minicursos para o público feminino (marcenaria, elétrica, hidráulica, jardinagem, pintura e papel de parece, revestimentos de parede e piso, e mecânica automotiva), com conteúdos básicos, técnicos e práticos de reforma e manutenção. Desenhado para oferecer uma experiência acolhedora e de segurança, desperta a autoconfiança e empoderamento feminino. A escola funciona em São Paulo e atende a população feminina em situação de vulnerabilidade econômica com vagas subsidiadas por meio de parcerias com empresas e organizações.

O negócio está associado à oportunidade número oito mapeada na Tese de Impacto Social em Habitação: capacitação e oportunidades para profissionais da construção civil, que destaca a necessidade de ampliar a qualificação para o trabalhador da construção civil e de qualificar a mão de obra do setor. A falta de mão de obra qualificada – resultado do baixo acesso a treinamento ou pela dificuldade no uso de tecnologias – é um dos grandes desafios de habitação. Os profissionais da construção civil têm um histórico de baixo nível educacional e atuam de forma informal, costumando ter um rendimento financeiro menor que os trabalhadores formalizados.

Entre as soluções que dialogam com essa oportunidade estão os cursos profissionalizantes acessíveis para o gerenciamento de obras (criação de orçamentos, gestão financeira); cursos e plataformas de treinamento para empresas da construção civil; uso da realidade virtual e aumentada para treinamentos e data analytics aplicada ao setor para valorizar e reter profissionais qualificados; e soluções de intermediação na contratação de pedreiros, mestres de obras etc.

 

Thaís Nobre e Vanessa Louzada. Líderes da Se Vira, Mulher! Crédito: Marco Torelli

 

REVOLUSOLAR | Rio de Janeiro 

Fundado por Eduardo Avila e Juan Cuervo, o negócio de impacto social promove o desenvolvimento sustentável nas comunidades fluminenses por meio de instalações de energia solar, capacitação profissional de instaladores e atividades educativas. Assim, a empresa busca democratizar o acesso a energias limpas, estimulando bons hábitos de consumo de energia e apoiando a economia local. A inspiração veio de projetos desenvolvidos no Morro da Babilônia, que contou com um forte engajamento da comunidade.

O negócio está associado à sexta oportunidade identificada pela Tese: Acesso e eficiência a serviços básicos. Moradias afastadas dos centros estão privadas de parte dos serviços básicos de infraestrutura como água, esgoto, coleta de lixo e energia elétrica. É preciso considerar alternativas que levem em consideração a sustentabilidade ambiental e a viabilidade financeira às pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.  Essa demanda está inserida em uma realidade na qual as moradias afastadas dos centros ou assentamentos irregulares são privadas de parte dos serviços básicos de infraestrutura. Em contrapartida, no Brasil, a habitação representa hoje a maior despesa de consumo familiar, sendo que uma parcela considerável dos gastos está atrelada a taxas desses serviços.

Diante dessa realidade, existem  oportunidades para negócios de impacto social que atuem com produtos e serviços que permitam a otimização do uso e consequente redução de custos com energia (Internet das Coisas, por exemplo, para identificar padrões de consumo); soluções para o acesso à energia não convencional a um custo acessível, que gere economia com a conta de luz em longo prazo (parcelamento de painel fotovoltaico, por exemplo);  tecnologias de geração de energia solar térmica para aquecimento de água a baixo custo; e sistemas alternativos para coleta de lixo.

 

Eduardo Avila e Juan Cuervo. Empreendedores da Revolusolar.Crédito: Marco Torelli.

 

A íntegra da Tese de Impacto Social em Habitação pode ser acessada, gratuitamente, pelo site: www.artemisia.org.br/habitacao